Wednesday, September 29, 2004

NORTON @ Revista Rock Sound nº 21

..: NORTON :.. entrevista @ Revista Rock Sound nº21
Rodolfo Matos estava do outro lado da linha. “O novo disco “Pictures From Our Thoughts” já estava bem digerido. Gostoso e atractivo formam o primeiro conjunto de adjectivos e sinónimos passíveis de escrever. Eis alguns pensamentos sobre um disco, sobre desenhos, reunidos numa entrevista que esteve para não acontecer…

Quando a posição de um jornalista teima vertiginosamente em misturar-se com a de uma tábua rasa, o desconforto é evidente. Não serei o primeiro nem o último a repensar nos filtros emotivos que algo relacionado com a dor nos poderá provocar. Sem que fosse o sentido primordial desta entrevista, era inevitável convocar o infortúnio do desaparecimento de um elemento da banda (Carlos Nunes). “Foi um choque tremendo. Na altura decidimos parar completamente. Depois digerimos mais ou menos a situação. Numa reunião decidimos o futuro da banda. Perdemos completamente o disco. Foi lançado, mas é quase como se não tivesse sido. Não chegámos a fazer a promoção devida e programada. Perdemos um dos nossos melhores amigos. Foram oito anos a tocar juntos e é muito complicado. Estamos a programar relançar o álbum em Setembro.”

Rodolfo parece ter assumido o facto e encarou-o de forma positiva. Agora com um convidado (Manuel Simões - Gomo), os Norton prosseguem o seu rumo. “Não existe nenhum Norton novo. Somos os quatro com um convidado. Esta situação irá manter-se até ao final do ano. A nossa intenção é fazer o máximo com este disco. É ter o Carlos o mais presente possível porque este álbum é tão nosso como era dele. Foi a última obra que ele nos deixou e aconteceu connosco.”

O registo referido constitui uma agradável surpresa. O anterior trabalho não tinha sido absolutamente consensual. “Quando fomos gravar o E.P. ainda não sabíamos muito bem o que se ia passar porque estávamos no inicio da banda. Com o álbum foi uma coisa mais programada, pensada e demorámos mais tempo. Tivemos de arranjar o produtor certo.”

Observado e escutado como um só conjunto, o disco assume um trilho pré-orquestral, de toada envolvente com explosões que nunca alcançam o standard do rock visceral. A dado momento sentimos que o disco assume um conceito. “Completamente. Tentámos não fazer uma mistura de músicas mais rock, seguidas de uma mais calma. Então a ideia foi fazer um disco como um crescendo da nossa música. A nossa ideia era que só fizesse sentido ouvir o disco do principio ao fim e não por partes.” Digamos que o lado Yo La Tengo está mais esbatido em virtude de uma áurea mais Pavement. “Sim! Nunca deixámos de dizer e de afirmar as nossas influências. Achamos é que juntamente como o produtor estamos a conseguir cada vez mais criar a nossa sonoridade usando as nossas influências, não sendo tão óbvias.”

No cruzamento e aprumo do disco, surgiu o bisturi cirúrgico do produtor Paulo Miranda. “Foi mais um elemento da banda. Mudou muitas coisas. Ao início quando recebemos o disco havia lá muita coisa que nos custou a entrar. Por exemplo, o “Chocolate”, quando saiu de Castelo Branco não estávamos nada contentes com o resultado. Hoje é o tema que mais adoramos no disco”.

Pedro Trigueiro

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