Tuesday, April 03, 2007

..: NORTON :.. @ Disco Digital

Entrevista com Norton: Espelho Mágico
Os albicastrenses Norton aterram agora no mercado com o segundo de originais «Kersche», disco assumidamente mais electrónico do que a estreia em longa duração, já lá vão alguns anos. Trabalho reflexo de uma série de vivências pessoais, «Kersche» assegura uma louvável evolução na sonoridade dos Norton. Rodolfo Matos, baterista da banda, assegura em discurso directo uma nova forma de criação de música.

«Kersche» é um disco claramente mais voltado para as electrónicas. A direcção tomada, diz o músico, surgiu de forma espontânea. Todavia, ao contrário do que se possa pensar, o disco de remisturas «Frames» - editado entre os dois de originais - pouco teve a ver com esta nova sonoridade dos Norton. «Sem dúvida que este é um disco marcadamente mais electrónico. Poderá parecer que o disco de remisturas tenha sido o «culpado» dessa mudança mas não. Acho que a causa maior para isso foi a mudança no nosso método de composição, montámos o nosso pequeno estúdio e isso mudou muito a maneira de fazer música para nós. Não foi algo muito pensado, aconteceu...Nós gostamos de nos deixar levar pelo que se passa a nossa volta.»
A estreia, com «Pictures From Our Thoughts», surge agora devidamente situada no tempo e mentalmente bem definida. O passado é algo que os Norton vêem com relativa naturalidade e global percepção de um trajecto sempre em crescimento qualitativo. E pessoal. Ainda recentemente vínhamos em viagem e falávamos de tudo isso. As grandes diferenças para nós são claras: o «Pictures From Our Thoughts» era um disco menos pensado, mais despreocupado, indie puro. Este, por seu lado, é um trabalho que teve um cuidado especial em todos os pormenores, da capa à gravação, passando pela masterização...tudo, mesmo. Se convivo saudavelmente com o nosso passado em disco? Depende dos dias (risos). Agora oiço e penso muitas vezes que podíamos ter feito muito melhor, mas é bom ter um primeiro disco assim como aquele. Nós éramos aquilo em naquela altura [2003-2004] e está aí o documento. Acho que é bonito ouvir e ver a diferença.»

Nome curioso para um disco, este termo «Kersche». O que representa, afinal? «O nome surgiu numa noite de estúdio. Andávamos entretidos a brincar com nomes, púnhamos letras, tirávamos, etc. Já tínhamos a capa delineada, já sabíamos ao que o disco final iria soar então tentámos arranjar um nome para o disco. Sugeri este e ficou, gostamos da ideia de não ter tradução, ser um nome próprio tal como o nome da banda…»

«Kersche» é, uma vez mais na carreira dos Norton, um disco com alguns convidados. Mais do que isso, de amigos, citando a própria banda. Cada qual com uma história curiosa e um contributo decisivo para o resultado final. Ao vivo, a história segue dentro de momentos. «Não o vejo muito como um disco de convidados, o anterior era mais, inclusive. A ideia para este foi convidar amigos que nos têm ajudado desde o começo, mas tudo na mesma linha. Convidámos o Nuno Gonçalves (The Gift) porque temos uma relação de amizade já desde a altura em que fomos apresentar o EP ao Clinic [espaço em Alcobaça gerido pelo músico dos The Gift] no início da banda. O Nuno já nos tinha remisturado também, e faltava a quase óbvia participação no disco. O Manuel Simões é amigo de longa data e chegou a fazer uns concertos connosco como guitarrista convidado. A Filipa Venâncio (Jaguar) foi talvez a participação mais pensada, porque queríamos uma voz feminina para participar no disco. Um pequeno apontamento, nada mais. Depois houve o João Valente dos Starlux, também amigo de longa data que tínhamos convidado para participar no disco mas por falta de tempo tinha sido impossível, e foi numa situação limite que aconteceu. Tínhamos o disco pronto mas naquele tema em concreto [«Frames of Yourself»] faltava ali alguma coisa. O Eduardo Ricciardi (produtor) ligou-lhe e ele gravou ao segundo take sem nós sequer ouvirmos. O João tem um feeling único a cantar. Depois tivemos ainda o João Santos (que nos acompanha ao vivo) que gravou Fender Rhodes Piano e o Eduardo que foi o produtor que muitas vezes saltava para a sala de captação para gravar um apontamento de guitarra ou de sintetizador, por exemplo.»
(por
Pedro Figueiredo in Disco Digital)

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